Metodologia

Os pressupostos e fundamentos que orientam o Ação Darmata estão baseados no conceito de cultura de paz dentro da perspectiva do pensamento budista tradicional. O princípio da responsabilidade universal, apontado por essa tradição filosófica como início do caminho para uma vida mais plena, é utilizado pela organização como chave para o desenvolvimento de um processo pedagógico no qual temas como sustentabilidade, inclusão social, equilíbrio interno, felicidade, amor e afeto podem ser introduzidos de forma coerente. O treinamento para a responsabilidade universal tem como consequência natural a ampliação da nossa capacidade de ação para promoção de benefícios em quatro níveis inter-relacionados: pessoal, interpessoal, social e ambiental. A promoção da melhoria nas relações de nós conosco mesmos, com os outros, com a sociedade e com o meio ambiente já é a compreensão e a inserção numa cultura de paz.

A inserção em uma cultura de paz passa necessariamente pelo desenvolvimento de uma leitura crítica de mundo. No entanto, o conjunto de dados e reflexões sobre uma realidade de pobreza social ou de degradação ambiental pode construir uma visão negativa ou limitadora desta realidade. Por isso, a essa leitura crítica associamos o princípio da liberdade, característica básica de todos os indivíduos. A realidade social em que vivemos é aquela que construímos. E não é necessário que nos defrontemos com tragédias para aprender. Tampouco a elaboração de saídas criativas depende de configurações externas. A consciência da liberdade de um indivíduo é também a consciência do seu poder de transformar uma dada realidade.

Daí uma etapa fundamental para a inserção em uma cultura de paz ser o contato com o mundo interno através do exercício da introspecção. Através da introspecção “é possível que o indivíduo transforme seus limites, fraquezas, medos, potencialidades e virtudes em algo familiar, refletindo sobre eles e passando a chamar pelo devido nome cada uma de suas atitudes preponderantes, passando de fato a conhecê-las e a discernir-lhes o sentido, não apenas vivendo como seu refém”1.

Todo este treinamento só adquire sentido em processos de relação, no estabelecimento de vínculos positivos. É apenas através destes processos relacionais, onde se dá o compartilhamento dos frutos do processo de introspecção, que podem ser geradas novas saídas. Coletivas. Enriquecidas da lucidez dos atores envolvidos no contexto e das experiências que já acumularam como coletividade.

O Ação Darmata acredita que qualquer ação de transformação social tem que ter como objetivo último a sustentabilidade das populações envolvidas, tornando-as autossuficientes, capazes de gerar suas próprias soluções e, a longo prazo, independente de ajudas externas.

Também nos inspiramos na Investigação Apreciativa. Desenvolvida para melhorar a capacidade organizacional e testada e aplicada largamente no meio corporativo, esta abordagem tem se mostrado bastante eficaz também no que se refere a projetos de desenvolvimento e promoção de ações coletivas. A Investigação Apreciativa propõe a descoberta, a compreensão e a promoção de inovações nos acordos e processos sociais. Refere-se à pesquisa e a uma teoria de ações coletivas intencionais, que se destinam a promover a evolução da capacidade cooperativa de um par, grupo, organização ou sociedade como um todo. Por isso, mostra-se altamente eficaz quando se trata de unir um grupo em torno de um objetivo comum.

1 Artigo Princípios Norteadores da Formação Humana, José Policarpo Júnior.